Nem completamente inofensiva, nem terrível vilã – ainda há muita desinformação a respeito do contraceptivo de emergência

 

A pílula do dia seguinte é um contraceptivo de emergência, ou seja, seu uso deve ser restrito a situações em que houve algum problema com outros métodos de uso regular, como quando uma camisinha estoura, por exemplo. O que acontece se a pílula do dia seguinte for usada como a pílula normal, de uso frequente?

Como o tema ainda é bastante envolto por mitos e desinformação, vamos esclarecer alguns. Por exemplo, talvez você tenha ouvido falar que o uso frequente da pílula do dia seguinte pode afetar a fertilidade da mulher no futuro. Porém, estudos científicos realizados até hoje não comprovam essa conexão, o que faz dessa afirmação, por enquanto, uma especulação.

E quanto ao aumento da possibilidade de ocorrência de uma gravidez ectópica (fora do útero)? Essa é outra alegação que ainda carece de evidências. O que pode ocorrer é a pílula falhar ou ser tomada fora do período correto (mais de 72h após a relação sexual) e aí esse tipo de gravidez se instalar, mas a anormalidade desse caso não decore especificamente da pílula.

Ainda assim, os médicos não recomendam o uso da pílula do dia seguinte como único e principal método contraceptivo. Primeiro, porque ela não é completamente inofensiva: seus efeitos colaterais vão desde náuseas, vômito e dor nos seios e ventre, até dor de cabeça e tontura. Não é nada legal sentir efeitos intensos como esses várias vezes por mês, certo?

Ela ainda desregula o ciclo menstrual, que demora para voltar ao normal. Aí, estabelece-se uma insegurança a respeito do período fértil da mulher, o que dificulta ainda mais qualquer planejamento quanto aos riscos de gravidez.

E, finalmente, se nenhum desses motivos te convenceu, estes aqui vão. A pílula do dia seguinte é menos eficaz que as pílulas de uso contínuo. As pílulas comuns têm eficácia próxima de 99%. Já a da pílula do dia seguinte é de cerca de 95% se tomada nas primeiras 24 horas após a relação, e vai caindo conforme se demora mais para tomá-la, chegando perto dos 50% quando se chega no terceiro dia. E, por fim, a do dia seguinte é mais cara.

Ou seja, vamos manter o contraceptivo de emergência apenas para momentos imprevistos? Afinal, o “de emergência” não está lá à toa...





Tags: contraceptivo; pílula; gravidez; ciclo menstrual



Deixe seu comentário

Para comentar ou responder, você precisa se cadastrar ou estar logado.


0 Comentários