É comum alguns diabéticos terem dúvidas na hora de aplicar o medicamento

 

Dúvidas na auto aplicação da insulina costumam ser comuns quando os diabéticos descobrem que precisam do medicamento. Engana-se quem pensa que para apenas um tipo de diabetes é preciso o uso de insulina.

“Qualquer tipo de diabetes pode, eventualmente, ter a necessidade do uso de insulina como controle imediato de descompensação por um curto período de tempo ou como tratamento-base de forma contínua”, afirma a Dra. Alinne Inuy, que faz parte do corpo clínico da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD), e é coordenadora científica e assistente do ambulatório de climatério e endocrinologista da Unifesp.

O uso de insulina para tratamento do diabetes tipo 1 é obrigatório, pois, neste caso, há deficiência grave do hormônio e os comprimidos não conseguem exercer o controle dos níveis de açúcar.

“Já no diabetes tipo 2, é uma opção terapêutica caso: a hemoglobina glicada seja maior ou igual a 10%, glicemia maior ou igual a 300 mg/dl com sinais e sintomas do diabetes, como perda de peso, poliúra e polidipsia, ou não ter sido alcançado o alvo glicêmico após o tratamento com a associação de outros medicamentos. Em relação ao diabetes gestacional, o tratamento principal consiste no controle alimentar, porém, pode evoluir para a necessidade de insulinoterapia, principalmente, às refeições em casos de controles mais difíceis”, orienta a endocrinologista.

Erros mais comuns

Os erros começam no preparo da medicação, quando se pula a etapa de homogeneizar a insulina lenta, em seguida, aspira-se do frasco de insulina uma dose diferente da prescrita; há falta de rodízio do local de aplicação; além do erro na realização da prega para aplicação de insulina com agulha que necessita deste procedimento; e reaproveitamento de agulha descartável a cada aplicação; como também retirada da agulha da pele antes do conteúdo da seringa ser dispensado por completo no subcutâneo.

Para evitar esses erros, é preciso que o paciente tire todas as dúvidas possíveis com seu médico. Há unidades do SUS que possuem palestras todos os meses com o intuito de orientar os pacientes diabéticos na hora da aplicação.

Erro na aspiração da dose

O primeiro passo para evitarmos erros da aspiração da dose é a educação continuada. “O tratamento com insulina é complexo a princípio e, por este motivo, o paciente que inicia o uso deve ser adequadamente orientado com uma linguagem simples para que todas as dúvidas sejam sanadas”, explica a Dra. Alinne. A aplicação correta, portanto, depende, inicialmente, da boa compreensão do tratamento.

O segundo passo é a escolha do dispositivo e agulha para o uso do hormônio. Estudos demonstram que seringas de 100 UI têm índice maior de erro que as menores. Idosos e deficientes visuais se beneficiam com o uso das canetas injetoras que têm número claro para demonstrar a dose e fazem um click a cada unidade colocada, permitindo contar a dose pelo barulho.

A espessura da pele não ultrapassa a média de 3 mm, assim, agulhas de 4 mm, que não necessitam de pregas cutâneas, diminuem o risco de a aplicação ser feita fora do subcutâneo, além de darem maior conforto.

“No caso do uso de seringas, para que a dose seja precisa, primeiro puxe o embolo e aspire o ar até a quantidade de insulina prescrita, em seguida, apoie o frasco em uma mesa e injete o ar aspirado dentro do frasco, e, então, vire o frasco e aspire a dose de insulina orientada. Verifique, ao final, se há bolhas de ar dentro da seringa; se houver, bata lentamente com os dedos para dissolvê-las; finalmente, inverta o frasco e retire a agulha”, explica a endocrinologista.

Consequências da má aplicação

“Quando indicamos a insulina como tratamento para o diabetes, prescrevemos uma dose que é calculada para cada indivíduo, respeitando sua condição clínica e os hábitos alimentares. Assim, tentamos imitar o controle feito de forma automática pelo pâncreas que, ao perceber as variações glicêmicas séricas, aumenta ou diminui automaticamente a secreção do hormônio e promove o controle glicêmico,” esclarece a Dra. Alinne.

Para que isso seja possível, a precisão da dose aplicada é fundamental. “Com os erros na aplicação, a dose recebida pode ser maior ou menor que a necessária e, como consequência, podemos apresentar hiperglicemia, que, em longo prazo, desencadeia complicações, como retinopatia e nefropatia. Há também hipoglicemias se forem usadas doses maiores que a recomendada, colocando em risco a vida dos pacientes, podendo haver convulsões, coma e parada cardíaca, além de casos severos”, afirma.

Outra consequência, segundo a endocrinologista, é alteração da velocidade de absorção da insulina que deve ser aplicada no tecido subcutâneo, sendo mais rápida que o desejado no músculo e mais lenta na derme.

“Por fim, a falta de rodízio e o reaproveitamento de agulhas promovem o aparecimento de nodulações e irregularidades teciduais chamadas lipodistrofias, em que a insulina não é bem absorvida e há infecções de pele recorrentes”, alerta.

Sentindo na pele

Ao descobrir que tinha diabetes em 1998, Tereza Martins, dona de casa, mal sabia que, em 2004, teria de começar a injetar insulina por conta do descontrole da doença durante a menopausa.

“Foi muito ruim porque não aceitei aplicar sozinha. Minha vizinha aplicava nos meus braços e eu sentia muita dor”, afirma Tereza. Depois, quando sua médica soube, orientou Tereza para que ela mesma aplicasse a insulina.

“Quando aplicava na barriga, a mão tremia de nervosismo. Depois, acostumei. A minha maior dúvida era se tinha de deixar ar na seringa ou não”, revela.

Já para Pietro Bellesso Soares, técnico imobiliário, não houve dúvidas na hora da aplicação. O que o incomoda mesmo na auto aplicação são as dores e marcas que ficam depois.

“Eu aplico muito na coxa, então, às vezes, fica roxo, dolorido e aí tem de ficar mudando de lugar. Mas, por exemplo, se aplico muito tempo na barriga, dá inchaço”, comenta.

 





Tags: insulina; hipoglicemia; hiperglicemia; diabetes; aplicação



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