Existe um momento certo para os filhos pararem de dormir no quarto dos pais? Entenda, na verdade, como tudo funciona

 

Perdas, frustrações e individualidade são sentimentos importantes, que precisam ser ensinados pelos pais desde cedo. Pode parecer doloroso e difícil, mas isso é crucial para o crescimento e estrutura emocional da criança. Afinal, eles farão parte da vida. Por isso, ensiná-la que dormir em seu próprio quarto e não na cama dos pais, por exemplo, é tão importante.

“A criança precisa compreender que cada um tem o seu próprio espaço e que o lugar dos adultos e dos seus pais é diferente do seu. Mesmo que ela demonstre frustração em não poder fazer parte de tudo que eles fazem, é uma dor suportável e necessária para seu crescimento e sua saúde mental”, explica a Dra. Denise de Sousa Feliciano, psicóloga, psicanalista e vice-presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Naturalmente, ao nascer, o bebê já sente a sua primeira sensação de desamparo na vida ao sair de um ambiente seguro, dentro do útero da mãe, onde estava completamente adaptado às necessidades térmicas e nutricionais, direto para o mundo.

“É justamente por essas razões que, no período inicial de sua vida, ele precisa de uma mãe e de um pai que possam estar atentos para antecipar e satisfazer suas necessidades, antes que tudo se torne um grande desconforto. Por isso, dormir na cama dos pais não é uma boa opção desde cedo”, esclarece.

Nesse aspecto, ela acha, inclusive, que a amamentação pode ajudar porque permite que o bebê se sinta acolhido e confortável. “As crianças precisam ter seus pais por perto, mas não grudados a elas”, ressalta.

Portanto, quando os pais se adaptam ao ritmo do bebê e se tranquilizam sobre o impacto inicial dessa mudança em suas vidas, eles são capazes de ficar atentos às necessidades e aos choros do pequeno, mesmo que estejam em quartos separados.

“Se isso acontece num período inicial, não muito longo, a criança se habitua a um espaço próprio e o reconhece como confortável, sentindo-se bem no ‘seu cantinho’”, completa a Dra. Denise.

A importância de dizer “não”

O hábito de dormir na cama com os pais remete ao bebê ou à criança a ideia de que não é bom estar só, nem mesmo ao dormir. “São a firmeza e a convicção transmitidas por eles que, na verdade, permitirão que a criança aceite e sinta que o seu espaço é aconchegante. Para isso, é preciso ter paciência para que essa adaptação seja feita de forma carinhosa. Afinal, toda mudança gera insegurança e é preciso ter compreensão com o que os filhos sentem, ao invés de se irritar com as suas manobras e rebeldias”, recomenda a psicóloga. Caso contrário, a criança continuará reivindicando por um lugar que ela entende que é o dela, quando na verdade não é.

Dica

  • Até que os pais se sintam seguros para colocar o bebê em outro quarto, a Dra. Denise recomenda que a criança fique num carrinho ou moisés, dentro do quarto deles. Mas é importante lembrar que quando os pais se sentem seguros, transmitem essa segurança ao bebê.
  • Resista às manobras, birras e tensões que a criança vai causar quando a transferir para outra cama e quarto, de forma acolhedora e tolerante, e de preferência conversando com ela.
  • Incentive-a, se ela for maior, enumerando as coisas boas que há no quarto e o conforto maior em seu novo berço ou cama.
  • “No início, é natural a criança ‘testar’ os pais e acordá-los várias vezes à noite, na tentativa de vencê-los pelo cansaço”, diz a Dra. Denise. Por mais cansativo que isso pareça, seja irredutível na sua decisão. “Esse é um momento crucial, portanto, não recue nem uma vez”, destaca.

 





Tags: dormir; criança; birra; filhos;



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